Terceira fase para mudar maus hábitos – Planear

mudar maus hábitos
“Olhe em frente, e fixe o seu olhar no que está diante de si.”
— Livro dos Provérbios 4:25

  1. Planear o seu Dia-D Pessoal


Vivemos num mundo habituado a anúncios de trinta segundos que oferecem soluções imediatas. Mas não deveríamos surpreender-nos quando as soluções fáceis não resultam; não existem poções mágicas nem soluções simples quando se trata de uma mudança profunda e definitiva.


Nesta fase, você irá trabalhar em fazer mudanças na sua Prioridade Número Um. Não poderá passar à fase 4 antes de se libertar do seu mau hábito, e essa será a sua prioridade principal. A sua vida irá seguir na direcção dos seus pensamentos dominantes. Quando nos focamos no passado, os nossos pensamentos fazem-nos recuar no tempo e fazem-nos reviver os acontecimentos vezes sem conta.


Culparmo-nos por coisas que correram mal no passado é o hábito mais auto-destrutivo de todos. É fácil para as nossas famílias ou amigos aperceberem-se que estamos a beber, ou a comer demasiado, ou a gastar demasiado, e que isso está a destruir as nossas vidas. Mas nem sempre é assim tão fácil, nem mesmo para as pessoas que estão próximas de nós, aperceberem-se quando a culpa e a auto-recriminação estão a destruir as nossas possibilidades de sermos felizes.


A solução é aceitar a responsabilidade para si próprio, e perceber que você pode decidir tomar o rumo da sua vida. Há uma cena no filme de animação da Disney, O Rei Leão, que ilustra isto de uma forma humorada e poderosa. Simba esconde-se da verdade de cada vez que foge de Pride Rock. Ele construiu para si próprio todo o tipo de prisões verbais: Hakuna Matata, diz ele, Sem preocupações.


Mas ele não está feliz, e está sempre preocupado. Ele culpa-se pela morte do pai. Simba está destinado a ser o Rei de Pride Lands, mas a culpa e a auto-recriminação impedem-no de agir. Rafiki, o macaco velho e sábio e o sumo-sacerdote do futuro reino de Simba, apanha Simba e tenta trazê-lo de volta aos seus sentidos. Para fazer com que perceba a mensagem, Rafiki manda os seus servidores darem a Simba uma pancada na cabeça.


“Porque é que fizeste isso?” pergunta Simba, esfregando o “galo” no alto da cabeça.


“Não interessa,” responde Rafiki, “Isso pertence ao passado.”


Simba precisa de um empurrão para agir, e os servidores de Rafiki provaram ser uma ferramenta eficaz. É claro que, se está num relacionamento de apoio com alguém que está preso à culpa e à auto-recriminação, não deverá dar-lhe uma pancada na cabeça. Esta técnica faz maravilhas nos desenhos animados, mas na vida real irá com certeza destruir um relacionamento de apoio.


Então, como é que pode persuadir uma pessoa a agir, se essa pessoa está presa aos mesmos maus hábitos que estavam a destruir a vida de Simba?

Aqui fica uma ideia: faça umas pipocas, arranje um local confortável, e convide essa pessoa para ver O Rei Leão consigo. Se a pessoa estiver na fase 1 ou na fase 2, o filme irá certamente mexer com ela. Pode até levá-la a tomar uma atitude e acelerar o processo de mudança individual.


Assim que você tiver decidido mudar, é altura de agendar o seu Dia de Decisão. Estabeleça uma data e anuncie a sua intenção de agir: “Vou parar de fumar no primeiro dia do mês”. Coloque o seu compromisso por escrito.

Mais informação em https://www.terapiasdamente.pt/deixar-de-fumar/

Uma das chaves para uma mudança individual bem sucedida é desenvolver o seu próprio plano. O elemento crítico em qualquer programa é a confiança da pessoa que está a usá-lo. Se você acredita que o programa irá resultar, você tem melhores hipóteses que ele resulte mesmo. A melhor forma para o fazer é criar o seu próprio plano.


  1. Preparação para uma mudança completa do estilo de vida


A chave para o sucesso nesta fase é reavaliar a sua vida. A melhor motivação é a visão daquilo que a sua vida será quando eliminar o seu mau hábito.


Estar preparado para a mudança significa que você definiu objectivos para si mesmo. A melhor forma de o fazer é escrever uma declaração pessoal de missão. Faça uma lista dos benefícios da mudança. Como é que cada um destes benefícios irá ajudá-lo a alcançar os seus objectivos de vida?


A chave para se libertar de maus hábitos é mudar o seu estilo de vida. Uma mudança total do estilo de vida não acontece de um dia para o outro. Acontece um dia de cada vez, assim que você começar a concentrar-se na solução, em vez de se concentrar no problema. O processo de mudança total do estilo de vida começa quando você começar a pensar mais sobre o presente do que sobre o passado.


Não se surpreenda se nesta fase não estiver completamente seguro de estar pronto para eliminar o seu mau hábito. Ninguém vai dizer-lhe para o fazer hoje. Forçar-se a desistir antes de estar mental e emocionalmente preparado para mudar conduz normalmente a um retorno no processo. Nesta fase, você irá preparar-se para mudar.


A melhor forma de se libertar de qualquer mau hábito é substituir o seu anterior comportamento por um estilo de vida mais activo. O seu compromisso com um programa de exercício é uma das chaves para eliminar um mau hábito.


Comecei a fumar quando tinha 22 anos. Até essa altura, nunca tinha fumado um cigarro. Quando comecei a fumar cerca de dois maços por dia, comecei a preocupar-me com a minha saúde.


Tal como muitos fumadores, passei cinco anos a fumar e cinco anos a tentar deixar. Mudei para cachimbo por uns tempos, na esperança que o aborrecimento e o tempo que levava a preparar o cachimbo, e a limpá-lo, me levassem a reduzir o vício, mas isso não aconteceu. Voltei a fumar cigarros.


Percebi que precisava de um plano. Reparei que muitos ex-fumadores substituíram o hábito de fumar por guloseimas ou comida rápida. O seu rápido aumento de peso fez-me questionar se a cura não seria pior que a doença. Eu não queria cair na mesma armadilha, por isso optei por usar pastilhas sem açúcar para satisfazer o desejo de ter alguma coisa na boca.


Nessa altura eu era professor, por isso utilizava habitualmente o quadro nas aulas. Na altura em que estava a tentar deixar de fumar, às vezes dava por mim a segurar o giz entre os dedos como se fosse um cigarro. Uma vez, cheguei mesmo a pôr um pedaço de giz na boca. De certeza que os alunos acharam imensa piada, mas não me preocupei com isso. Eles sabiam que eu estava a tentar deixar de fumar, e o seu encorajamento e apoio tiveram um importante papel no meu sucesso.


O meu plano para me libertar da nicotina incluía um programa de exercício. A minha teoria era que se punisse suficientemente o meu corpo, ele iria dizer-me para cuidar melhor dele. Alguns dos meus alunos tinham uma equipa de basquetebol num campeonato local. Nessa altura eu tinha 33 anos, e eles eram entre dez a quinze anos mais novos que eu. Disse-lhes que queria voltar a jogar, e eles convidaram-me para um treino.


No meu tempo de adolescente, fui um bom jogador de basquetebol, mas não fiz desporto de competição durante muito tempo. Da primeira vez joguei cerca de dez minutos, e quando acabou disse para mim mesmo que não precisava de puxar assim tanto pelo meu corpo. Mas os miúdos não me deixaram desistir.


Não fiquei preso à data que estabeleci para terminar com o meu vício. Passou ainda cerca de um mês de deslizes até a data certa chegar e eu deixar definitivamente de fumar. Durante esse mês, “roubava” um cigarrito de vez em quando – nunca mais de um cigarro por dia. Nessa altura eu ainda não o sabia, mas ainda estava na fase 2 quando estabeleci a minha data. Eu estava consciente dos danos que o fumo estava a fazer ao meu corpo e aos meus relacionamentos, mas não tinha feito um compromisso sério para mudar.


Os meus deslizes ensinaram-me que deixar o vício ia custar-me mais do que eu pensava. Comecei a minha preparação a sério um dia depois da data marcada, da primeira vez que falhei. O período de um mês após a data marcada tornou-se a minha fase 3 – o período de preparação que me permitiu ser bem sucedido. Não foi a melhor forma de o fazer, mas resultou.


A parte mais importante da minha preparação foi o meu compromisso com um estilo de vida mais activo. Os meus novos companheiros de equipa não me deixaram desistir. Joguei na equipa deles durante dois anos. Paguei novos equipamentos e fatos de aquecimento antes de um importante torneio estatal.


Na altura não percebi isso, mas agora sei que os novos equipamentos foram uma motivação e uma recompensa – a minha motivação para permanecer comprometido com um estilo de vida mais saudável, e a recompensa dos meus colegas de equipa por me apoiarem.


O Dr. Kenneth Cooper, o pai da aeróbica, disse que os benefícios máximos para a saúde podem ser obtidos pela participação em qualquer actividade que aumente a frequência cardíaca durante pelo menos trinta minutos, três vezes por semana.


Trinta minutos de exercício aeróbico é o suficiente para libertar endorfinas para o cérebro. As endorfinas são substâncias químicas produzidas pelo corpo que, muitas vezes, são mais poderosas que a morfina. As endorfinas são responsáveis pela sensação de paz, bem-estar e alegria normalmente experimentadas pelas pessoas que fazem exercício regularmente.


Se você estabelecer um compromisso de fazer exercício apenas 90 minutos por semana, isso fará com que você se sinta mais feliz e substitua os seus hábitos auto-destrutivos por hábitos mais saudáveis.

Não tem de ser basquetebol de competição. Caminhada, natação ou qualquer exercício em classe são óptimos. Qualquer mudança duradoura tem um preço, seja a nível de tempo, energia e dinheiro. Mas se você se comprometer, a recompensa é de mil para um.


É óbvio que não poderá eliminar todas as tentações de regressar ao seu velho hábito. Você precisa de um plano que funcione vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. A melhor alternativa para os hábitos auto-destrutivos é a diversão activa. Manter-se ocupado – mantenha a sua mente longe da tentação de beber, fumar ou comer demasiado – é a estratégia que todas as pessoas que optaram por uma mudança individual usam. O exercício é o substituto mais saudável dos maus hábitos, mas não é o único substituto que resulta.


Você é a única pessoa que sabe aquilo que resulta consigo. Seja o que for que o mantenha ocupado e que deixe a sua mente longe de pegar numa bebida, num pedaço de bolo ou passar a tarde nas compras irá resultar para si. Tem de ser uma coisa que lhe agrade. Jogar o seu jogo favorito, ler um livro, limpar a casa ou dedicar-se a um projecto de trabalho em casa são alternativas saudáveis.


  1. Estar atento ao adiamento


O maior perigo nesta fase é o adiamento. Tente usar estas estratégias ao primeiro sinal de estar a evitar o seu compromisso:


  • Pese os benefícios de agir, por comparação aos efeitos do adiamento.

  • Estabeleça objectivos atingíveis. Tentar adiar o pagamento do seu cartão de crédito para o próximo mês só o conduzirá ao fracasso. Pagar o seu cartão de crédito em seis meses ou um ano dar-lhe-á uma maior expectativa de sucesso.

  • Tome uma atitude. Faça qualquer coisa. Inscreva-se numa actividade em classe ou vá dar um passeio de bicicleta. A actividade é o melhor antídoto do adiamento.

  • Não se recrimine se as coisas não correrem sempre na perfeição. Não se trata aqui de perfeição – trata-se de fazer progressos, um passo de cada vez.


Conhecer-se a si próprio é a chave para um planeamento bem sucedido. Quais são as verdadeiras razões para o seu mau hábito? Quais são as causas reais de estar sempre a adiar? O seu maior inimigo nesta fase é o medo do fracasso. É normal. Não deixe que isso o incomode. Estabeleça uma data e mantenha-se firme a ela.


Assegure-se que define uma data num futuro próximo – daqui a duas semanas, e não daqui a dois meses. Se der a si próprio demasiado tempo, está mais predisposto ao adiamento.  

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